Antes da Idade Moderna, ciência e filosofia tinham praticamente o mesmo conceito. Após uma crise (de estudos filosóficos) que ocorreu entre posições metafísica e naturalista (no Renascimento) tentaram separar o conceito de filosofia e ciência, que sucedeu quando Bacon e Aristóteles se definiram como pólos opostos da reflexão filosófica.
De uma lado, a atitude escolástica, espiritualista, de raízes cristãs, aristotélicas e platônicas. Do outro, uma nova atitude no pensamento filosófico em escolas recentes, com base em teses antiespiritualistas (depois da abertura de horizontes pela filosofia kantista).
A filosofia crítica (confessadamente idealista) deu lugar a sugestões e impulsos indispensáveis de onde saíram várias concepções opostas ao idealismo.
Conceitos de ciência:
- Segundo Aristóteles, a ciência tinha por objeto os princípios e as causas;
- Santo Tomás de Aquino, a definiu como assimilação da mente dirigida ao conhecimento das coisas;
- Bacon e Wolf seguiram uma mesma linha de raciocínio, declararam que ciência cumpre entender "o hábito de demonstrar assertos, isto é, de inferi-los, por consequência legítima, de princípios certos e imutáveis";
- Para Kant, ciência é tudo que possa ser objeto de certeza apodítica.
Um conceito foi acrescentando outro, resultando em um conceito confuso, ou seja, sem clareza, aos seus predecessores. Gerando uma nova tentativa de complementação na definição.
Kant, com sua ação intelectual dos positivistas e evolucionistas, afirmou com efeito, que "por ciência se há de tomar toda série de conhecimentos sistematizados ou coordenados mediante a princípios." O conceito de ciência começa a ficar mais preciso, resultando que, ciência é o conhecimento das relações entre as coisas, fatos ou fenômenos, quando ocorre identidade ou semelhança, diferença ou contraste, coexistência ou sucessão nessa ordem de relações.
A ciência se caracteriza pela tomada de determinada ordem de fenômenos, em cuja a pluralidade se busca um princípio de unidade, investigando-se o processo evolutivo, as causas, as circunstâncias, as regularidades observadas no campo fenomenológico.
Spencer quebra todas as dificuldades e vacilações ainda existentes. Seu método (conceito) é ainda mais perfeito, nítido e simples. Segundo ele, há 3 variantes do conhecimento:
1 - Conhecimento empírico ou vulgar (conhecimento não unificado)
2 - Conhecimento científico (parcialmente unificado)
3 - Conhecimento filosófico (totalmente unificado)
Littré associa o método de Spencer a uma frase bastante utilizada nos compêndios: "A ciência é a generalização da experiência, e a filosofia, a generalização da ciência." Ou seja, para haver ciência é necessário filosofar (pensar) sobre métodos ou teses, e a experiência é a "comprovação" da ciência.
Existe 4 ciências fundamentais que os positivistas, evolucionistas e pragmatistas (do séc. XIX) apontam como inabaláveis: Físico-Química, Biologia, Psicologia e Sociologia.
Separados os conceitos de ciência (ordem de conhecimentos parcialmente unificados) e filosofia (conhecimento completamente unificado dos fenômenos que servem de objeto toda atividade cognoscitiva, isto é, que adquire conhecimento), resta saber se é ponto pacífico a classificação das ciências que resultaram. Aqui gerou outro cisma espiritualistas e positivistas, pois Comte (Pai do Positivismo) concorre a classificação dos filósofos neokantistas.
Segundo Comte, as ciências são abstratas (aquelas que se ocupam das leis que governam os fatos elementares da natureza) e concretas (como ciências secundárias ou tributárias, que se referem a aspectos particulares dos fenômenos, ex: a zoologia em relação a biologia).
No curso de Filosofia positiva as ciências abstratas são reproduzidas de forma hierárquica, segundo a ordem de generalidade e simplicidade decrescente e a ordem de complexidade e especialização crescente (a ciência seguinte depende da antecedente, porém não segue uma recíproca verdadeira, gerando uma ordem lógica valorativa, ou seja, das ciências inferiores se passa as ciências superiores.) Há 7 ciências fundamentais no curso de Filosofia Positiva: Matemática, Astronomia, Física, Química, Biologia, Sociologia e por último, a Moral, sendo ela a mais complexa, pois além de considerar a inteligência e a atividade do homem como objeto de estudo, como a Sociologia, considera também o sentimento. Após a valoração positivista, a ciência passa a ficar acima da filosofia, na medida que essa se confunde com a metafísica (conhecimento além da matéria).
Augusto Comte expôs no Sistema Política Positiva, a lei dos 3 estados ou lei da evolução, que coloca a humanidade e o conhecimento em 3 fases sucessivas: o estado teológico, temporário e propedêutica, em que o homem busca as causas e tudo explica, no desejo do conhecimento absoluto ou supremo; o estado metafísico, de transição, em que entidades abstratas explicam os fenômenos ou os fatos se ligam as idéias, ou seja, abstrações personificadas, dominando nesse estado intermédio os filósofos e juristas com a sociedade animada por um sentimento de defesa; e por fim, o estado científico, que é o estado positivo ou físico, ponto final da escala do conhecimento e grau superior de formação definitiva da ciência. Nessa situação, a razão humana tendo deixado a parte a ficção dos teólogos, do estado inicial; despreza a abstração dos metafísicos, do estado intermediário; e se entrega aos processos de demonstração, ou seja, da ciência. (Alguns pensadores foram contras; os idealistas e os neokantistas)
Estes dados, operou a divisão da ciência em duas partes contrárias, entre ciências da natureza e ciências da sociedade. Ou seja, foram separadas em duas órbitas distintas e autônomas.
Referência:
BONAVIDES, Paulo. Ciência Política.
Muito bom! me salvou, Obrigado Milena!!
ResponderExcluirÓtima explicação!! Parabens!
ResponderExcluirMuito Bom!! Parabéns!
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